"Interagindo com Autômatos"
"No inverno passado, visitei a Encruzilhada da Noite a negócios e nos deram esses panfletos, para que a gente se acostumasse com as pessoas de lá, mas sinceramente, o excesso de luzes neon foi o que eu levei mais tempo me acostumando."
(sim, isso é a minha mão)
eu nunca disse que humanos eram as únicas pessoas no Dhegom. autômatos são seres que apareceram no mundo após o início do(s) apocalipse(s). eles são muito similares a humanos ... talvez similares demais.
o povo da Grande República (atualmente equivalente ao Mar Seco) não convive com autômatos em suas terras. seus vizinhos no deserto Iridescente são um tanto isolacionistas, e quanto ao Império Solar ... digamos que eles não tem relações muito boas. acaba que os autômatos do polo sul são alguns dos poucos que muitos papelenses e madeirenses vão conhecer na vida.
vai aqui uma transcrição do texto do panfleto:
INTERAGINDO COM AUTÔMATOS
Autômatos são pessoas que funcionam de forma diferente de humanos, e erros de interpretação podem levar a situações embaraçosas. Estude esse panfleto com cuidado caso não tenha experiência prévia com eles.
ENTENDENDO EMOÇÕES AUTÔMATAS
[série de desenhos enquadrados em círculos radialmente, com um rosto neutro no meio e 6 direções para mais rostos, mostrando níveis de intensidade de cada emoção principal]
Neutro: Autômatos não têm a necessidade de piscar os olhos e portanto não o farão a não ser para proteger os olhos ou expressar emoção.
Felicidade: Mantém um sorriso constante durante toda uma interação social positiva.
Tristeza: Expressa de forma “caricata” comparado a um humano.
Surpresa: Moleza repentina no corpo, partes do corpo parecem “colapsar” e o rosto pode cair para dentro por alguns instantes em um padrão espiral. Isso é perfeitamente normal.
Raiva: Corpo rígido e ereto, boca aberta mas sem dentes visíveis.
Desgosto: Olhos piscam em um ritmo que seria típico para um humano relaxado. Quando muito enojado, olhos fechados, mãos jogadas na frente do rosto de qualquer jeito.
Medo: Olhos ainda mais abertos que o comum. Autômatos têm um senso de medo menos aguçado que humanos.
CULTURA:
Na Encruzilhada, manter um perfil discreto e seguir as ordens do Conselho incondicionalmente são chave. Respeite oficiais de polícia, que estarão vestindo uniformes verdes e vermelhos, com a logo do Conselho, e gorros.
Diferente dos autômatos metalenses e solarianos, a maioria dos autômatos no Polo são seguidores da Alvorada, portanto, não possuem ritos de sacrifício e não há necessidade de perguntar seu aniversário antes de uma conversa. Espere encontrar pessoas que admiram a Aurora quando ela aparece no céu (e pessoas que frequentam os templos de Deus, o estilhaçado, nos dias sagrados¹).
Apesar de haver apenas um povo humano integrando o Conselho de Hibernópolis, múltiplos povos autômatos participam dele, cada uma com suas particularidades. Não confunda eles, entretanto, na Encruzilhada, seguir as normas da cidade é quase tudo que será necessário.
CONVERSAÇÃO:
Português não é uma língua conhecida no Vale Fervente, então sem conhecimento das línguas locais, um tradutor que fale Dia e Noite será necessário para conversas complexas com a maioria das pessoas, autômatas e humanas.
Acenar a mão é uma saudação em Dia, o que significa que você, como estrangeiro, deve responder em Noite, ou seja, com uma reverência, curvando o corpo para a frente levemente.
Mantenha seus documentos identificando você como um estrangeiro no bolso para rapidamente informar que você não fala a língua local.
CUIDADOS:
NÃO jogue luz diretamente nos seus olhos. - NÃO chegue mais perto de 2 metros deles sem permissão. - NÃO use força excessiva no contato físico com eles. - NÃO aborde temas religiosos ou pergunte sobre as crenças de um autômato em um lugar público caso a pessoa não tenha mencionado.
Tendo em mente as nossas diferenças, podemos perceber que nós temos muito mais similaridades.
Para distribuição nos principais portos do Vale Fervente. Destinado a visitantes madeirenses e papelenses.
¹Correção a pedido da Igreja Unificada
ᐊᑊᐅᐊᐅᐋᖅ - Ministério da Cultura